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domingo, 21 de agosto de 2016

CAPÍTULO 8: O QUE EU QUERO O DINHEIRO NÃO PODE COMPRAR?!




Uma vez falei ao meu psicólogo: "Será necessário uma 3ª Grande Guerra Mundial ou a Lua ficou pequena demais para as ambições humanas". Na verdade, quando falei isso me referia à atual estagnação tecnológica e científica que a nossa sociedade experimenta. Há pouco tempo a ciência e a tecnologia produziam revoluções nas vidas das pessoas que podiam pagar. Atualmente, nem pagando as pessoas conseguem perceber os resultados daquilo que é pesquisado nos laboratórios.
Com tantas pesquisas realizadas com o intuito de desenvolver novas fontes de energia renováveis e menos poluentes, como a energia solar, o hidrogênio, os biocombustíveis, porque ainda dirigimos nossas latas velhas movidas a combustíveis fósseis. Um carro híbrido é vendido por um preço muito acima do poder aquisitivo da classe média. Um amigo meu é estudante universitário e me disse o seguinte: “A maioria dos meus professores da universidade tem patentes registradas e ganham bastante dinheiro da Petrobras. Quando o petróleo deixar de existir muita gente vai perder dinheiro e outros tantos vão, finalmente, colocar em prática as suas pesquisas e os seus projetos científicos. Será que algum dia o planeta vai respirar um ar mais puro? Depende muito do interesse econômico e da disponibilidade do petróleo?!”
Um vice-presidente da república é internado no Hospital Sírio Libanês e morre vítima de um agressivo câncer na região abdominal. Milhares de pessoas comuns morrem diariamente deitadas em macas colocadas nos disputados corredores dos hospitais públicos do nosso Brasil. Aproximadamente 45.000.000 (quarenta e cinco milhões) de brasileiros possuem alguma deficiência física ou mental. Enfim, todos estão à mercê (reféns) do interesse econômico da indústria farmacêutica. Já tive a oportunidade de ouvir da boca de um psiquiatra: “Não sou um fã da farmacologia, mas não existe outro caminho quando se trata de doenças crônicas”. Atualmente, podemos dizer que a ganância está derrotando a ambição e somente o tempo será capaz de desvelar o que o dinheiro faz questão de esconder.
Durante a elaboração deste livro (sobre transtorno afetivo bipolar) descobri uma informação valiosa que alterou substancialmente a minha ideia sobre doenças mentais negligenciadas: "Estima-se que aproximadamente 15.000.000 (quinze milhões) de brasileiros são portadores de algum grau de bipolaridade".
Contudo, antes de chegar neste capítulo do livro, considerava (e ainda considero) o transtorno afetivo bipolar uma doença negligenciada. Como é possível uma doença que atinge aproximadamente 15 milhões de brasileiros ser considerada uma doença negligenciada? Uma correção necessita ser feita para uma melhor compreensão do conteúdo da informação. Quando levantei essa hipótese, referia-me ao número de pessoas afetadas pela doença, mas, mesmo retificando a informação, continuo com a opinião de que o transtorno bipolar é uma doença negligenciada devido ao número de medicamentos que são consumidos para manter a pessoa com bipolaridade no estado eutímico.
Sinceramente, não acredito muito que a indústria farmacêutica irá largar esse osso tão facilmente. As pesquisas existem, mas por trás de toda pesquisa científica há muito dinheiro envolvido. A ciência microbiológica evoluiu muito nesses últimos anos, todavia, um tratamento experimental pode levar anos para ser colocado à disposição da população afetada pelas doenças pesquisadas. Além disso, considero a palavra "cura" um pouco forte e onerosa demais para constar no vocabulário médico. Tenho a convicção que se um dia descobrirem a cura de alguma doença crônica ou grave como o câncer, transtorno bipolar, esquizofrenia, com toda a certeza que existe neste mundo, o preço será muito alto a ponto de os usuários do SUS (Sistema Único de Saúde) não terem acesso a $ CURA $.
           Neste livro escrevo um texto que fala sobre a íntima relação entre ciência e religião. Em minha opinião, a religião é o fator que humaniza a ciência. Talvez se houvesse um pouco menos de dinheiro (interesses econômicos) e um pouco mais de fé (comunhão e partilha) a cura fosse algo possível e acessível. A ciência somente produz bons frutos quando ela tem como foco principal o BEM COMUM.



FONTE: ARAÚJO, Denio Medeiros de; SIMPLESMENTE BIPOLAR; 1º Edição Digital, Caicó: Editora Blogger, 2016.

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