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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

DESENVOLVIMENTO HUMANO: UM MISTÉRIO QUE VAI ALÉM DOS ESTÁGIOS PSICOLÓGICOS.

Por todas essas razões, decidimo-nos pelo embasamento deste livro no Trabalho de Erik Erikson e pela integração do trabalho dele ao que aprendemos sobre oração de CURA. Como qualquer outro DOM, o sistema dos oito estágios do desenvolvimento como Erikson o descreve tem suas limitações e corre o risco de ser mal usado. As limitações que encontramos no trabalho de Erikson são áreas em que outras linhas da psicologia e a espiritualidade nos forneceram visão mais ampla sobre mágoas e curas que ocorrem em cada um dos estágios. Por exemplo, a espiritualidade nos dá a compreensão das experiências de conversão, da oração pelos antepassados e da oração de libertação como elementos no processo de CURA. No caso de Linda, a CURA incluiu a experiência de conversão na descoberta de que "Jesus quer partilhar tudo comigo", bem como a oração pelos antepassados e a oração de libertação. Da psicologia aprendemos que pesquisas recentes vêm revelando causas genéticas e bioquímicas de determinados problemas emocionais e sociais, um dos quais o alcoolismo. Estudos de psicologia prenatal indicam que o primeiro estágio da vida começa na concepção, enquanto para Erikson se inicia no nascimento. Alguns psicólogos, especialmente as mulheres, vêm sugerindo que os estágios de Erikson estão sujeitos a desvios em favor do desenvolvimento masculino e não reflete adequadamente  o desenvolvimento feminino.
Sigmund Freud - O Pai da Psicanálise
Tal viés machista é uma evidência em nossa cultura e se reflete na linguagem literária quando esta usa pronomes masculinos sempre que se ferefe a seres humanos ou a Deus. Esse sexismo estilístico reforça o sexismo da vida real, desenvolvendo em nós o hábito de ver os homens como paradigmas primários da natureza humana e da divina. Ficar a todo momento dizendo "ele/ela" e "o/a" é deselegante. Contudo, umas tantas vezes, ao longo deste livro, ao nos referirmos a seres humanos  ou a Deus, iremos usar o gênero feminino, "ela". (Para referências bibliográficas e doutrinárias a respeito do aspecto feminino de Deus, veja páginas 48-50 e 128-131). Como não quero falir a Indústria Editorial eu vou deixar que a curiosidade dos leitores os guiem a adquirir este maravilhoso livro: A CURA DOS OITO ESTÁGIOS DA VIDA. Que juntamente com a Bíblia formam uma interação e uma integração bastante interessante.
Obra de Salvador Dali retratando a forma deturpada de como a gente enxerga Deus.
Além de procurarmos ser sensíveis ao sexismo e às limitações de Erikson, pretendemos evitar o mau uso do sistema que ele propôs. Um desses maus usos é ver os oito estágios como precisamente definidos, como se encontrássemos unicamente num estágio de cada vez, exatamente na ordem. O próprio entendimento de Erikson é de que nos encontramos em todos os estágios durante todo o tempo, de tal forma que, por exemplo, durante a vida inteira vamos aprofundando  o primeiro estágio da confiança básica. A idéia de estágios de desenvolvimento  durante determinadas idades específicasquer simplesmente dizer que há um PERÍODO CRÍTICO para cada estágio. Ao mesmo tempo que Linda vinha completando o desenvolvimento perdido durante o estágio da idade escolar, no qual havia acontecido o ABUSO SEXUAL com o consequente bloqueio de boa parte do seu desenvolvimento, ela estava também restabelecendo a confiança básica da infância e desenvolvendo a reprodutividade da idade adulta.
Erik Erikson - Fundador da Teoria Psicossocial.
Pelo fato de estarmos em todos os estágios durante todo o tempo e visto que nossa personalidade e experiências de vida são tão únicas, cada um de nós percorre os estágios de forma única também. Podemos, por exemplo, voltar atrás e CURAR os estágios fora de ordem. Linda não só começou a completar os estágios  a partir da idade escolar em diante, como também voltou a estágios anteriores. A experiência de Linda - ter sido forçada a participar de um ABUSO SEXUAL - prejudicou seu sentimento de autonomia, tarefa de uma criança de dois a três anos de idade. No estágio da autonomia, a criança desenvolve sua vontade e aprende a dizer SIM e NÃO. O senso de autonomia de Linda não fora plenamente desenvolvido quando ela tinha dois ou três anos, porque sua mãe, pessoa seriamente perturbada, foi incapaz de ensiná-la a responder adequadamente. O ABUSO SEXUAL na idade escolar agravou os danos ao já vulnerável  senso de autonomia de Linda. Assim, quando adulta, ela via-se paralisada em situações de SEXUALIDADE, incapaz de dizer NÃO à SEXUALIDADE INADEQUADA, ou dizer um SIM à SEXUALIDADE APROPRIADA COM SEU MARIDO. Um dos modos como trbalhei com Linda (a pedido dela mesma) foi dividir com ela a responsabilidade por suas respostas positivas e negativas em situações que envolviam sexualidade, de forma que pudesse vir a ajudá-la a saber quando dizer SIM e quando dizer NÃO. Assim que me foi possível oferecer-lhe uma orientação amorosa, apropriada a uma criança de dois anos de idade, o senso de autonomia de Linda nessa área começou a emergir gradualmente.
Nossa caminhada pelos estágios é única, em parte porque os traumas e outros acontecimentos afetam diferentemente cada pessoa. Linda, por exemplo, bloqueou seu desenvolvimento em razão  do abuso sexual. Por outro lado, Matt e Dennis falam de como tiveram seu desenvolvimento bloqueado por causa da morte do irmão, John. A morte de John quando Matt contava com sete anos e Dennis com cinco afetou cada um de modo diferente. Matt se encontrava em idade escolar, quando mais se evidencia o aspecto laborioso, ao passo que Dennis se encontrava ainda no estágio da iniciativa, quando a ênfase recai sobre a diversão. Embora nem Matt nem Dennis tenham sido tão fundamentalente feridos ou se deixado bloquear tanto quanto Linda, ambos deixam transparecer os efeitos da morte de John. Matt tem tendência a trabalhar além da conta, e Dennis, a brincar demais.

 
A unicidade do processo de desenvolvimento de cada pessoa implica dizer que não podemos usar os estágios como uma régua para medir  a execução das tarefas da vida. Por exemplo, Erikson sugere que a adolescência é a ocasião ideal para se escolher uma ocupação, mas muita gente não chega a uma escolha definitiva da profissão antes dos trinta anos, e ainda alguns há que se entregam a uma profissão completamente nova após os quarenta ou cinquenta. Outro exemplo: o período mais usual para o casamento se situa na juventude, entre os 19 e os 35 anos. Mas um de nossos amigos, que se casou aos 55, afirma: "Não estava preparado para o casamento até aquela ocasião."

O crescimento não se origina do fato de percorrer os estágios a tempo ou em ordem, mas de receber AMOR em qualquer estágio em que nos encontremos. Se nos deixarmos AMAR no ponto em que nos encontramos, como Linda se deixou AMAR em meio à sua MÁGOA e RAIVA, automaticamente iremos crescer.

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